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Terra Avulsa

Terra Avulsa

(romance). Rio de Janeiro: record, 2014.

Terra avulsa é o meu segundo romance, resultado dos meus estudos no doutorado em Letras da UFRGS. Nesta narrativa, Pedro Vicente é assaltado e tem roubados os documentos. A partir daí, tranca-se, solitário, num apartamento do centro de Porto Alegre, onde funda um país de 55 m2 para renunciar ao Brasil. Patriota da avulsão, Pedro traduz poemas do poeta nicaraguense Javier Lucerna, ao mesmo tempo em que escreve, a partir de fotos de sua editora, Eudora, sobre os objetos que o cercam para preencher sua nação. Enquanto a história de sua República Doméstica corre, Pedro mergulha na memória familiar de Guaíba, buscando descobrir quem é sua mãe (Pedro foi dado pela mãe biológica, sua mãe adotiva morreu, e Izolina, uma madrinha monstruosamente feia, o criou como mãe; é a ela, também, que Pedro tenta renunciar).

Talvez Pedro me permita ver o Brasil do desvio, o que busco operar, também, em termos de macronarrativa. E não se situa aí, dos galhos narrativos, um ato de transferência de alguém sem mãe a alguém sem pátria e, portanto, de identidade perdida? Nessa medida de “orfandade”, seria possível mostrar o que Pedro, em fugindo de si mesmo e de seu país, confessa de mais pessoal e nacional na borra do que escreve e do que pensa. Por isso, Pedro e seu chão mostram-se afeitos à condição de avulsos: são um espaço e um ser sem vínculos. A belíssima orelha de Luiz Ruffato parece dialogar com essa ideia.